| Caracterização da área |
|
|
|
| Por Administrator | |
| 31 de May de 2006 | |
LocalizaçãoA Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema está localizada no estado do Acre, Amazônia Ocidental, nos municípios de Sena Madureira (94% da área total da Unidade) e Manuel Urbano (6%), abrangendo a quase totalidade da micro-bacia do rio Caeté e parte do rio Macauã, tributários do rio Iaco, afluente do rio Purus (mapa). Possui uma área de 750.794,70 ha (cerca de 30% da área do município de Sena Madureira) e perímetro de 589,05 km, entre as coordenadas 09o 01’ – 10o 12’ S e 68o 50’ – 70o 11’ W. A cidade mais próxima da Reserva é Sena Madureira, acessada a partir de Rio Branco, pela BR 364, por 150 km pavimentados. O acesso à Reserva, a partir de Sena, dá-se pelos rios Caeté e Macauã. No verão amazônico, os rios e igarapés deixam de ser trafegáveis e o acesso dá-se pelo Ramal do 16, com 30 km, que liga Sena Madureira até o Núcleo do Cazumbá e pelo Ramal do Nacélio, com 126 km. ClimaClima predominante: Am - tropical chuvoso. Temperaturas médias anuais: variam entre 24,5o C e 25,5o C, sendo julho o mês mais frio, com média de 23,3o C e outubro o mais quente, com média de 25,8o C. Pluviosidade média anual: entre 2.000 e 2.500 mm, com longa estação chuvosa (novembro a maio) e pequena estação seca.Umidade relativa: alta durante todo o ano, com média em torno de 80 a 90%, sem significativas oscilações. SolosOs solos são, em geral, quimicamente pobres e mal drenados, com alguns trechos férteis. Na Reserva, existem quatro tipos de solo: Argissolos Eutróficos, Alissolos Hipocrômicos, Cambissolos Eutróficos, Gleissolos Háplicos. Rio e Igarapés A área é drenada por afluentes do rio Purus, o segundo maior representante da drenagem do estado. A parte central é cortada pelo rio Caeté, que atravessa a Reserva, tendo como afluentes vários igarapés, destacando-se o Espera-aí, Canamari, Maloca e Santo Antônio. Na parte leste, corre o rio Macauã, tendo como principal afluente o igarapé Riozinho. Os rios da Reserva são bastante sinuosos, sem padrão meândrico típico e variam sua largura sazonalmente. No auge da seca, sua navegabilidade é reduzida pela pequena profundidade de certos trechos. É muito comum o “derretimento” dos barrancos do rio, que corresponde a deslizamentos da margem, causados pelas variações do regime fluvial. Vegetação A formação vegetal mais abundante na Reserva é a Floresta Ombrófila Aberta de Palmeira, com ocorrência em menor escala de Floresta Ombrófila Aberta de Bambu e Floresta Ombrófila Densa com Dossel Uniforme, sendo esta encontrada às margens do rio Caeté. A Floresta Ombrófila Aberta de Palmeira é caracterizada pela presença abundante de algumas espécies de palmeiras. A Floresta Ombrófila Aberta de Bambu (Taboca) caracteriza-se pela presença de bambu, principalmente do gênero Bambusa, disperso no sub-bosque e em grandes adensamentos nas áreas onde há maior incidência de luz (clareiras, margens de igarapés e nas estradas de seringa). A Floresta Ombrófila Densa com Dossel Uniforme é caracterizada por vegetação arbórea heterogênea, sem árvores emergentes, com sub-bosque constituído por denso estrato arbustivo. Embora seja necessário ampliar e aprofundar os estudos sobre a flora da Reserva, algumas observações preliminares, através de estimativa visual, e o depoimento de alguns moradores, indicaram áreas com concentrações de espécies de importância econômica atual ou potencial, como açaí (Euterpe precatoria), jarina (Phytelephas macrocarpa), seringueira (Hevea brasilienses), castanheira (Bertholetia excelsa), copaíba (Copaifera sp.), cedro (Cedrella odorata), cumaru-ferro (Dipteryx odorata), cerejeira (Torresea acreana) e mogno (Swietenia macrophylla). Em visitas a nove localidades, em 2003, foram registrados 124 taxa, sendo 89 em nível específico e 35 em nível genérico. Estes registros foram baseados no conhecimento dos mateiros, envolvendo exclusivamente espécies de uso tradicional, o que implica na ausência de muitos grupos vegetais, como gramíneas, briófitas, orquídeas e bromélias. A área da Reserva foi considerada, durante o Seminário Consulta de Macapá, em 1999, como de alta prioridade para conservação da flora. Fauna Os estudos faunísticos, ainda preliminares, indicam uma fauna diversificada. Foram registradas 249 espécies: 179 aves, 44 mamíferos, 18 peixes e oito répteis. Destas, quatro espécies de mamíferos encontram-se atualmente na lista oficial do Ibama de espécies ameaçadas: tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), tatu-canastra (Priodontes maximus), onça-pintada (Panthera onca) e cachorro-do-mato-vinagre (Speothos venaticus). Alguns taxa importantes pela sua reconhecida diversidade, abundância e papel funcional em ambientes tropicais (p.ex.: dispersores de sementes) não foram amostrados, incluindo morcegos e pequenos mamíferos (roedores e marsupiais). Grupos de aves que incluem um grande número de espécies pequenas, crípticas, de difícil visualização ou registro sem redes de neblina, como trochilídeos, formicarídeos, furnarídeos, dendrocolaptídeos, tiranídeos e algumas espécies migratórias foram subamostrados. Novos estudos de fauna são necessários para todos os grupos, em especial para aqueles sem registro, como invertebrados e anfíbios. Dados comparativos sugerem a ocorrência de uma fauna muito mais rica, sendo provável até mesmo a descoberta de novas espécies. O entorno Denomina-se entorno de uma UC a área externa aos limites desta, num raio de 10 km, a partir de suas fronteiras legais. A valorização da UC pelos moradores do entorno é essencial, pois populações humanas sujeitas a intensas pressões ecológicas e econômicas estão sujeitas a desenvolver relações antagônicas com as áreas protegidas e sem o consentimento das populações locais, estas áreas não poderão ser efetivamente manejadas. Projeto de Assentamento Agrícola Há um projeto de assentamento limítrofe à Reserva, cujas escolas atendem, além dos alunos do próprio assentamento, moradores da Reserva. As condições de saúde são precárias. Não há nenhum tipo de atendimento médico regular. O transporte é custoso e depende de rios, na época chuvosa, e de ramais que devem ser reabertos a cada período de estiagem. A convivência entre assentados e extrativistas é estreita, havendo vários casos de parentesco entre uns e outros. Devido à proximidade e às dificuldades semelhantes que enfrentam, há, muitas vezes, ajuda mútua. Por outro lado, há alguns conflitos, decorrentes sobretudo de invasões em terras alheias, para exploração dos recursos naturais. Terras Indígenas A Reserva faz limite com a área indígena Jaminawa e a Terra Indígena Alto Purus. A área indígena Jaminawa está incrustada na Reserva, ocupando 9.878,48 ha, à beira do rio Caeté, a partir do igarapé Canamari. Nela, vivem cerca de 27 famílias, dependentes da caça, da pesca e de produtos da agricultura de subsistência, principalmente mandioca, banana e arroz. Durante o processo de criação da Reserva, ficou acordado entre Ibama, Funai e as comunidades indígenas e extrativistas a manutenção da área para uso dessa população indígena, ficando então excluída da Reserva, embora espacialmente esteja circundada por esta. A TI do Alto Purus faz limite com a Reserva em sua porção desabitada. Floresta Nacional do Macauã e Floresta Nacional do São Francisco A Sudeste da Reserva, estão a Floresta Nacional do Macauã e a Floresta Nacional do São Francisco (Flonas), UCs de Uso Sustentável criadas respectivamente em 1988 e 2000, que ocupam 173.475 ha e 21.600 ha. Existem hoje 19 famílias morando na área da Flona, distribuídas em 13 colocações. As condições sociais e econômicas são muito semelhantes àquelas encontradas na Reserva, com pequenas diferenças, tendo em vista o maior isolamento da área e a menor densidade demográfica. A convivência entre moradores e funcionários destas três Unidades é bastante estreita e tem sido, até o momento, muito positiva, resultando na cooperação entre todos. Parque Estadual do Chandless UC de Proteção Integral que faz limite a Sudoeste da Reserva, ocupando 605.303 ha. É uma Unidade recentemente criada (decreto 10.670/2004). O Parque é cortado pelo rio Chandless, afluente do rio Purus, com baixa perturbação humana e grande riqueza faunística (calcula-se que existam cerca de 800 espécies de aves, 200 espécies de mamíferos, 80 espécies de répteis e 120 espécies de anfíbios; já foram identificadas cerca de 100 espécies de borboletas e mariposas e 200 espécies de peixes). Há 12 famílias que moram no Parque e deverão ter suas terras desapropriadas e indenizadas. A Reserva funciona como proteção ao Parque, pois representa uma barreira ao avanço do desenvolvimento predatório. Ações de planejamento e ordenação de uso para a área limítrofe devem ser previstas em conjunto entre os conselhos gestores de ambas as UCs. Cidade de Sena Madureira A Reserva Extrativista do Cazumbá-Iracema mantém relações socioeconômicas estreitas com a cidade de Sena Madureira. Sena Madureira possui um território de 25.278 km2, com cerca de 32.989 habitantes, sendo 55% população urbana e 45%, rural. É o terceiro município do estado. A taxa de analfabetismo na população é de 32,7%, muito superior à média nacional (12,9%). A pressão antrópica no município é considerada baixa. A cidade de Sena Madureira apresenta infra-estrutura precária de saneamento, educação, saúde, cultura e lazer. Na zona rural, o acesso à saúde e à educação é ainda mais crítico. A economia é fraca, baseada em atividades agrícolas e extrativistas, com poucas oportunidades de emprego. Os principais produtos do extrativismo são borracha, castanha e madeira em tora. Cerca de metade da população com rendimento nominal mensal recebe apenas um salário mínimo e apenas 34% das pessoas com rendimento são mulheres. A cultura urbana mostra forte influência dos seringais. Grande parte das casas, na cidade de Sena Madureira, são palafitas de madeira. O lixo recebe, muitas vezes, o mesmo destino da zona rural: é queimado, jogado nos rios ou mesmo pelos quintais e ruas. A alimentação também é semelhante, incluindo, por vezes, a compra e o consumo de carne de caça, que embora proibidos por lei ainda é prática freqüente, até mesmo entre pessoas supostamente esclarecidas, como médicos, advogados e servidores públicos. |
|
| Última Atualização ( 01 de July de 2006 ) |
Caracterização da área 






